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A descoberta do Buda – Além da dor

Sutra: Os sábios não ferem ninguém, eles são mestres do próprio corpo e vão para o país sem fronteiras, vão além da dor.

Osho: E quem é sábio? Não aquele que sabe muito, mas aquele que compreende muito. O sábio não é aquele que tem todas as escrituras na ponta da língua; o sábio é aquele que viu sua própria realidade e, ao vê-la, tomou consciência do universo e da sua beleza e inteligência. O sábio é aquele que viu a sabedoria da existência: ele não é instruído, mas é absolutamente inocente. Como ele pode ferir alguém? Isso é impossível, porque ele não pode ver os outros como diferentes de si mesmo. Ele vê o todo como uma coisa só.

Cuidado com as pessoas instruídas, cuidado com os supostos experientes; eles não são sábios.

Duas mulheres estavam sentadas na sala de espera do consultório médico, trocando ideias sobre seus vários distúrbios.

– Quero um bebê mais do que qualquer coisa no mundo – disse a primeira –, mas acho que é impossível.

– Eu me sentia exatamente assim – disse a segunda –, mas depois tudo mudou. É por isso que eu estou aqui: vou ter um bebê daqui a três meses.

– Você tem de me dizer o que você fez!

– Fui a um curandeiro.

– Mas eu tentei isso. Meu marido e eu consultamos um durante aproximadamente um ano e não adiantou nada.

A outra mulher sorriu e cochichou:

– Tente ir sozinha da próxima vez, querida.

As pessoas experientes, as pessoas que já viveram uma vida… elas parecem sábias; elas não são sábias, são apenas tolos maduros. E os tolos maduros são mais perigosos que os tolos imaturos, porque o tolo maduro tem todos os argumentos para apoiar sua tolice, toda sua experiência está à disposição dele.

O professor de direito criminal estava concluindo sua aula final antes das férias:

– Lembrem-se, cavalheiros, de que se vocês têm um caso com uma garota menor de idade, com ou sem o consentimento dela, trata-se de estupro! Se vocês têm um caso com uma garota maior de idade sem o consentimento dela, trata-se de estupro! Mas se vocês têm um caso com uma garota maior de idade, com o consentimento dela, Feliz Natal!

Essas pessoas são sábias de certo modo, sábias nos moldes do mundo: elas podem lhe dar bons conselhos, mas não são sábias no sentido que Buda usa essa palavra. Elas são tão tolas quanto você, só que um pouco mais experientes.

Despertando: Sábio é aquele que vivenciou tantos momentos, que observou tantos cenários, que atingiu a compreensão dos mecanismos do ego e, a partir daí, foi para o país sem fronteiras, foi além da dor.

“Os sábios não ferem ninguém…”

Adivinha quem se sente ferido? Sim, o ego.

Acontece que um sábio não se dirige ao ego, ele é um ótimo gestor de tempo, ele conhece os atalhos. Um sábio conversa direto com a Centelha Divina, pois, sua fala, parte de uma Centelha Divina e, uma Centelha Divina, só pode conversar com outra Centelha Divina.

E o sábio tem plena consciência que, entre sua Centelha Divina e a do outro, existe um ego cheio de julgamentos, cheio de traumas. Então todo sofrimento, todo incomodo que ele pode vir a causar, é fruto da reação desesperada de um ego que está sendo tocado, que está assistindo a Luz entrar. Um sábio nunca irá te ferir, mas, a sua verdade, pode lhe incomodar.

Os sábios são mestres do próprio corpo, pois, compreenderam que eles não são apenas um corpo físico, que eles possuem outros corpos em outras dimensões. Eles estão em um corpo físico na terceira dimensão, eles não são um corpo físico na terceira dimensão. E quando esse estado de consciência é atingido, automaticamente, todo sofrimento físico desaparece.

Todo sábio é um meditador e, todo meditador, é aquele que sempre observa.

O sábio sente fome, no entanto, ele está consciente que quem está com fome, na verdade, é o corpo físico, já ele, é quem está observando a fome acontecer. E não que ele ignore a fome, pelo contrário, ele está 100% consciente do seu corpo, logo, está 100% consciente da fome que está acontecendo. Assim como ele está 100% consciente de que a fome é um fenômeno puramente físico, que tem efeito apenas no seu veículo da terceira dimensão; não afeta ele, a consciência que está habitando o corpo.

O sábio sente dor, porém, ele está consciente que a dor também é um fenômeno puramente físico, que é uma regalia da matéria. E essa dor pode ser tamanha, pode ter sido provocada por um ferimento de tal seriedade, que leve o corpo a encerrar suas atividades. E enquanto tudo isso estava acontecendo, enquanto a dor vinha aumentando até que o corpo não suportasse mais, o sábio estava lá, intocado em sua observação, assistindo tudo aquilo acontecer. E não que ele seja indiferente, não é esse o caso; ele tem um profundo respeito e gratidão pelo seu corpo físico, ele observa sua dor com olhos de compaixão, ele está consciente – realmente a dor é profunda. Mas ele não é o corpo que sente a dor, ele está no corpo que sente a dor, ele observa o corpo que sente a dor.

E a consciência do sábio não o livra somente das dores físicas, e sim, de qualquer tipo de dor, de qualquer tipo de sofrimento. Assim como o sábio se porta como um observador ao não se identificar com o corpo físico, ele também é o observador ao não se identificar com o ego. A dor, o sofrimento, o medo, só são possíveis de acontecer se existir uma consciência identificada com o ego, identificada com a falsa sensação de separação da Fonte.

Uma vez que isso é compreendido, uma vez que se toma consciência dos mecanismos do ego, você se torna capaz de transcendê-lo e, a partir desse momento, se verá livre da dor.

Os sábios vão para o país sem fronteiras, pois, não estão identificados com nenhuma limitação, nenhuma imposição, nenhum julgamento. Eles estão conscientes que, qualquer fronteira, é puramente mental, não em efeito na realidade última. Eles vão além da dor, suas consciências estão além da dor, elas observam a dor, elas têm compaixão pela dor.

O sábio é aquele que reconheceu o amor em si e aprendeu a jogar o jogo, a arte de se viver na densidade da terceira dimensão.

Busque conhecimento, emita amor, seja Luz!