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A descoberta do Buda – O caminho da lucidez

Sutra: Existência é sofrimento. Compreenda, e vá além do sofrimento. Esse é o caminho da lucidez.

Osho: A dor nasce do apego às coisas momentâneas que você não pode tornar permanentes. Isso não está na natureza das coisas. É contra a lei universal. É contra o dhamma, é contra o Tao. Você não pode vencer. Se você luta contra a lei universal, você trava uma batalha perdida; você simplesmente gastará energia. O que vai acontecer está fadado a acontecer – nada pode ser feito quanto a isso.

Tudo o que você pode fazer tem relação com a sua consciência. Você pode mudar sua visão. Você pode ver as coisas sob uma luz diferente, num contexto diferente, num novo espaço, mas você não pode mudar as coisas. Se você pensar o mundo como algo muito verdadeiro, você sofrerá; se você vir o mundo como um sonho estranho, você não sofrerá. Se pensar em termos de substantivos, você sofrerá. Mas se pensar em termos de verbos, você não sofrerá.

Os substantivos não existem. Eles existem somente nas línguas; na realidade, não existe nenhum substantivo. Tudo é verbo, porque tudo está mudando e tudo está num processo – jamais é estático, é sempre dinâmico.

A segunda coisa que Buda diz é isto: “Existência é sofrimento”. Ser é sofrimento. O ego é sofrimento. Primeiro ele diz: Veja o mundo como um sonho, flutuando, mudando, novo a cada momento. Desfrute-o, desfrute sua renovação constante, desfrute todas as surpresas que ele traz. É belo que ele esteja mudando, nada está errado quanto a isso; apenas não se apegue a ele.

Por que você se apega? Você se apega porque você tem outra falácia: a de que você é.

A primeira falácia é que as cosias são estáticas e a segunda falácia é que você é, que você tem um ego estático. As duas caminham juntas. Se você quer se apegar, você precisa de algo ao qual se apegar; se você não tem nenhuma necessidade de se apegar, não há nenhuma necessidade de algo para se apegar. Vá fundo nisto: se você não precisa se apegar, o ego não é nem um pouco necessário; ele será inútil. Na verdade, ele não pode existir sem apego.

O dançarino só pode existir se ele dança. Se a dança pára, onde está o dançarino? O cantor existe somente na canção. O caminhante existe somente na caminhada. Assim é o ego: o ego existe somente no apego, na posse das coisas, no domínio das coisas. Quando não há nenhuma dominação, nenhum desejo de dominar, nenhum desejo de se apegar, nenhum desejo de possuir, o ego começa a evaporar. Do lado de fora, você pára de se apegar e, do lado de dentro, uma nova claridade começa a surgir. O ego desaparece com toda a sua fumaça; o ego desaparece com todas as suas nuvens. Ele não pode existir, porque não pode mais ser nutrido. Para ele existir, ele tem de se apegar. Ele tem de criar o “meu”, a “minha”, e ele vai criando o “meu” e a “minha” – de todos os modos possíveis e impossíveis.

O “eu” existe somente como uma ilha no oceano do “meu” e da “minha”. Se você pára de chamar as coisas de “minhas”, o ego desaparecerá por conta própria.

Nem a esposa é sua, nem o marido, nem os filhos. Tudo pertence ao todo. Sua reivindicação é tolice. Nós viemos de mãos vazias para este mundo e vamos partir deste mundo de mãos vazias. Mas ninguém quer saber da verdade – ela fere. De mãos vazias viemos e de mãos vazias iremos. A pessoa começa a ficar insegura, começa a ficar com medo. A pessoa quer estar cheia, não vazia. É melhor estar cheio de qualquer coisa – de qualquer lixo – do que vazio. O vazio se parece com a morte, e nós não queremos a verdade. Fazemos de tudo para viver na conveniência, mesmo que essa conveniência se baseie em ilusões.

– Exijo uma explicação! E quero a verdade! – gritou o marido, ao descobrir a mulher na cama com seu melhor amigo.

– Decida-se, George – disse ela calmamente. – Você não pode ter os dois!

Ou você pode ter uma explicação ou a verdade. E as pessoas estão mais interessadas nas explicações do que na verdade, daí tantas filosofias. Elas são todas explicações: explicações para explicar satisfatoriamente as coisas, não para lhes dar a verdade; explicações para criar uma grande fumaça e, desse modo, você não precisa ver a verdade. E a insistência de Buda é para que você a veja – porque, sem vê-la, você não pode ficar acima da dor.

Despertando: Estude em um bom colégio, faça uma boa universidade, tenha um bom emprego, ganhe bastante dinheiro, constitua família, tenha uma velhice tranquila e descanse em paz.

Esse é o caminho padrão, essa é a existência proposta pela sociedade.

E não que exista algum problema em você estudar em um bom colégio, ou em ter bastante dinheiro, em nenhum dos itens. A questão é que você não pensou em nada disso, você não entrou em estado meditativo e chegou à conclusão que deveria estudar em uma boa universidade, você não entrou em estado meditativo e chegou à conclusão que gostaria de constituir família, o que você fez, foi aceitar algo pré-determinado, foi tomar como certo o que a sua família, o que a sociedade têm como certo.

Acontece que quando você abre mão de ter a própria experiência, quando você deixa de olhar com seus próprios olhos para seguir a opinião de terceiros, você entra no que Buda chamou de existência, logo, você entra no sofrimento.

“Compreenda, e vá além do sofrimento…”

Compreenda, saia da visão romântica da vida. O que a sociedade propõe como certo e, consequentemente, o que a sua família propõe como certo, não são ideias oriundas de um estado meditativo, não têm como base o amor incondicional. Buda em nenhum momento disse que você deveria estudar em um bom colégio, Jesus Cristo não disse que você deveria ganhar bastante dinheiro, Osho não disse que você deveria constituir família… nenhum ser que tenha alcançado a verdade disse qualquer coisa que faça parte do programa padrão da vida na Terra.

A mensagem que todos passaram, cada um à sua maneira, foi: conheça a ti mesmo, olhe para dentro, invista no autoconhecimento. Todas as respostas estão dentro de você, o universo está dentro de você, o Todo está dentro de você.

Então não ouça o que o outro diz, tire suas próprias conclusões. E quando eu digo não ouça, é no sentido de não acredite sem antes pensar, sem pesquisar, sem olhar com seus próprios olhos.

Se você não despertar, se não sair do sono profundo, você irá passar mais uma encarnação na existência – no sofrimento. O modelo proposto pela sociedade é recheado de apego, de ódio, de medo, de uma gama de sentimentos que garantirá todo tipo de sofrimento.

Então sair da visão romântica da vida, é compreender que você está vivendo em um ambiente inóspito. Se você não controlar seus pensamentos e sentimentos, se você se deixar a mercê do inconsciente coletivo, você irá entrar no ódio, no medo, na insegurança, no ciúme… E é exatamente isso que Buda quer que você compreenda, para ir além do sofrimento, você precisa enxergar, precisa ter clareza da realidade última.

E note que Buda diz “vá além do sofrimento”. Ele não diz acabe com o sofrimento, ignore o sofrimento, elimine o sofrimento. Não, ele diz para você ir além.

Não existe certo ou errado, bom ou ruim, melhor ou pior, tudo isso são frutos da dualidade. Como você poderia um dia falar sobre o medo, se você nunca o tivesse sentido? Como você poderia falar sobre o ódio, se ele nunca tivesse passado por você? Como você poderia se lembrar que é Deus, se nunca tivesse esquecido?

Tudo são experiências, são faixas de frequência a serem experimentadas. E você já experimentou o sofrimento diversas vezes, agora, vá além. Expanda sua consciência, dê um salto evolutivo, saia da dualidade.

Compreenda que o amor é a verdade e que sua característica principal é o não julgamento. Então você pode experimentar a falsa sensação de separação da Fonte, você pode experimentar o medo, você pode experimentar o sofrimento – não tem problema nenhum nisso, é só uma questão de tempo até você acordar.

E quando você enxergar isso com os próprios olhos, quando atingir esse nível de compreensão, então você entrará no caminho da lucidez.

Busque conhecimento, emita amor, seja Luz!