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A descoberta do Buda – O caminho verdadeiro

Sutra: Veja o que é. Veja o que não é. Siga o caminho verdadeiro.

Osho: Gautama, o Buda, deu ao mundo a religião mais psicológica. Ela é incomparável: nenhuma outra religião chega sequer perto dela. Suas alturas, suas profundezas são tremendas. E a razão por que Buda conseguiu dar uma visão da vida tão bela é muito simples: ele não acreditou; ele investigou, ele explorou. Ele não acreditou na tradição, ele não acreditou nas escrituras, ele não acreditou nos sacerdotes.

Este foi um dos seus fundamentos: a menos que você saiba, você não sabe. Você pode tomar emprestado o conhecimento, você pode tornar-se instruído, bem informado, um erudito, um pândita, um professor, mas você não será capaz de ser alguém que realmente vê. Lá no fundo, a ignorância persistirá e afetará sua vida. Lá no fundo, você permanecerá o mesmo eu infantil, imaturo, sem base, descentrado, desintegrado. Você não será capaz de ser um indivíduo, não terá nenhuma autenticidade. Você será pseudo, aparente, falso.

Trata-se de um salto quântico dentro do desconhecido. Quando você não acredita na tradição, quando você não acredita nas escrituras, quando você não acredita em nada, exceto na sua própria experiência, você está rumando para o desconhecido inteiramente sozinho. Isso exige peito, exige coragem. E somente uma pessoa corajosa pode ser verdadeiramente religiosa.

Os covardes estão lá nas igrejas, nos templos, nas mesquitas, aos milhões, mas eles não criam nenhuma beleza religiosa, nenhuma fragrância religiosa no mundo. Eles não tornam o mundo mais belo, mais vivo, mais sensitivo. Eles não criam nada. Eles apenas continuam cumprindo formalidades, rituais. Eles mesmos estão mortos e continuam iludindo os outros. Eles mesmos estão iludidos.

O conhecimento emprestado cria uma grande ilusão, porque você começa a se sentir como se soubesse – e esse “como se” é um enorme “como se”.

A verdade liberta, a crença cega. A verdade liberta, porque ela tem de ser sua; ela tem de ser uma experiência interior, um encontro com aquilo que é.

Buda é um descrente. Ele não é ateu como Karl Marx ou Friedrich Nietzsche; nem é teísta como todos os sacerdotes de todas as religiões. Ele é agnóstico. Ele nem acredita nem desacredita; ele está aberto. Este é seu grande presente para o mundo: estar aberto para a verdade.

Vá completamente nu, sem conclusões, sem ideologia, sem preconceito. Caso contrário, há toda a possibilidade de que você projete a sua própria ideia. Você não verá aquilo que é, você verá somente aquilo que quer ver. Você estará criando sua própria realidade, que está fadada a ser falsa. A realidade não tem de ser inventada, ela tem de ser descoberta. Ela já está presente. E, lembre-se, não é a realidade que está escondida, são seus olhos que estão cobertos com camadas de poeira.

Buda deu ao mundo uma religião não-metafísca, uma religião psicológica. Ele simplesmente ajuda você a ir além da mente. Ele ajuda você a compreender a mente, porque é somente por meio da compreensão que a transcendência acontece.

Despertando: Como você pode ver o que é, e o que não é, se você está cego?

E a sua cegueira não é física, ela é espiritual. E isso torna a situação ainda mais complicada, pois você acredita de verdade que está enxergando, você está completamente inconsciente da sua cegueira. E o que te mantem cego são as camadas de lixo, as camadas de crenças que se alojam entre os seus olhos e a realidade última.

E a sua cegueira é representada pelas suas opiniões. Quando você inicia uma conversa sobre qualquer assunto já com uma opinião formada, você se fecha para enxergar a totalidade. Quando já existe uma opinião, seus esforços serão dedicados a sustentar sua opinião, você não estará 100% focado na informação que lhe está sendo transmitida, você estará dividindo sua energia em duas tarefas.

Por exemplo, neste exato momento enquanto você lê o que eu estou escrevendo, uma parte de você está concentrada no recebimento da informação enquanto outra parte, mesmo que inconscientemente, está julgando toda informação. O texto ainda está longe do fim, mas dentro de você já existe uma opinião rodando. E não importa se você está concordando ou não, se está gostando ou não, o fato é que você não está 100% focado na recepção da informação – eis a origem da sua cegueira.

E a boa notícia é que a cegueira tem cura e, a melhor notícia ainda, é que não é necessária nenhuma cirurgia, nenhum remédio, nada externo. Tudo que você precisa fazer é aprender a meditar, tudo que você precisa fazer é tornar a meditação o carro chefe da sua vida.

Somente no estado meditativo é que você se torna capaz de ver o que é e o que não é, pois somente no estado meditativo é que toda sua atenção estará focada na observação e não em sustentar uma opinião.

E esse é o segredo da meditação: o não julgamento. Assim como esse é o principal motivo da meditação ser algo tão difícil de ser praticado, nós estamos completamente viciados no julgamento, nas opiniões. Se observe na rua, você acabou de sair de casa, está começando a ver as primeiras pessoas do dia e internamente inicia: “Que pessoa bonita, que pessoa feia, que roupa bonita, que roupa feia, como ela engordou, como ela emagreceu…”

O normal nosso se tornou o julgamento, se você não colocar sua atenção nos seus pensamentos, se não vigiar a sua mente, fatalmente cairá no julgamento – é inevitável.

Então é preciso reconhecer em si o eu julgador. E mais que reconhecer, é necessário querer transcendê-lo, é preciso ter o desejo de se ver livre do seu eu inferior. Assim como nós precisamos estar conscientes que estamos há milhares de anos agindo a partir do julgamento, precisamos tomar consciência que nossa mente está há milhares de anos sob os domínios do ego.

E isso corresponde a dizer que é completamente natural que exista uma dificuldade inicial para se aprender a meditar. Você não irá mudar um padrão impregnado há milhares de anos em poucas tentativas. Por isso se faz necessária a força de vontade, a disciplina, o desejo de querer sair das garras do ego, ou seja, o desejo de ser feliz.

“Siga o caminho verdadeiro”.

E essa é a recompensa de todo meditador: ser agraciado com a possibilidade de enxergar o caminho verdadeiro. E apesar de poder parecer contraditório, o meditador é capaz de enxergar o caminho verdadeiro exatamente pelo fato dele não estar apegado a nenhum caminho pré-estabelecido – todo seu foco está na observação.

E quando você estiver 100% observando, quando não houver nenhum ruído do ego, então você assistirá Deus se fazendo através de você, então você se tornará um canal de manifestação do amor incondicional.

Busque conhecimento, emita amor, seja luz!