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A descoberta do Buda – A sabedoria é doçura

Sutra: E sabedoria é doçura, é liberdade.

Osho: Gautama, o Buda, não fala sobre Deus, mas fala sobre o amor, liberdade, verdade, autenticidade. Ele fala sobre a religião essencial. Ele não gasta saliva com o céu e o inferno, a teoria da reencarnação… Ele não tem interesse nenhum nos chamados grande problemas metafísicos. Ele é não-metafísico – em certo sentido, é muito pé no chão. Ele leva isso a sério. Ele quer lhe dar uma ciência que possa transformar a sua vida. Está interessado em criar uma alquimia de revolução interior; assim, o metal mais básico pode ser transformado em ouro. De certo modo, sua religião é única.

Existem três tipos de religião no mundo. O jainismo é a única religião que é enfaticamente ateísta. Ele nega Deus e eleva o homem ao seu ápice supremo. Ele declara que o homem é Deus e que não existe nenhum outro Deus. Com exceção do jainismo, todas as outras religiões – hinduísmo, judaísmo, cristianismo – são teístas. Estão enraizadas na ideia de Deus; sem Deus elas ficarão perdidas, sem saber o que fazer. Elas estão perdidas, porque desde que Nietzsche declarou que “Deus está morto”, a humanidade, pouco a pouco, tem concordado com Nietzsche. Essa afirmação tornou-se muito profética; ela representa a mente do século XX. E as religiões que têm dependido da ideia de Deus durante séculos estão se sentindo desarraigadas. Elas estão morrendo, definhando.

Buda é único. Ele nem é ateísta como o jainismo, nem teísta como as outras religiões. Ele é um esplêndido agnóstico. Ele diz que não há nenhuma necessidade de se preocupar com coisas desnecessárias. Pense no essencial, pense no intrínseco, e não ligue para os acidentais.

Se você é autentico, se você é compassivo, se você é meditativo, então, se existe um Deus, ele virá até você. Você não precisa ir à procura dele. E se existe um paraíso, ele descerá no seu coração. Não há nenhuma necessidade de ficar se chateando com essas ideias abstratas; elas são simplesmente uma perda de tempo. E, se você não é autêntico, nem meditativo, nem compassivo, nem sábio o bastante, mesmo que você encontre Deus, o que você irá fazer? Você ficará um pouco embaraçado e Deus ficará um pouco embaraçado vendo você. Os dois ficarão desnecessariamente numa situação estranha – o que dizer, o que fazer, o que não dizer, o que não fazer? Você gostaria de fugir e ele gostaria de fugir.

Pense: se de repente você encontrar Deus, o que fará? Você correrá dele o mais depressa possível!

Buda simplesmente elimina todas as suas esperanças e desejos. Ele não diz que não existe nenhum Deus, também não diz que existe. Ele simplesmente diz que isso é irrelevante. Não interessa se ele existe ou não, isso é absolutamente irrelevante. O que interessa é a sua transformação interior; e a transformação interior não pode ser deixada para amanhã; ela tem que acontecer neste exato momento.

Esse é o problema com Buda: se for com ele, você terá de abandonar suas esperanças, você terá de abandonar seus desejos. Você tem de ficar no presente, completamente silencioso. A partir daí, a vida tem uma nova cor, uma nova alegria, uma nova música. A partir daí, a vida tem uma nova beleza.

Despertando: Conhecimento é poder, isso não é uma novidade para ninguém. Agora o que poucos sabem é que de nada adianta ter poder, se ele não for utilizado para transformar conhecimento em sabedoria.

E quando Buda diz sabedoria, ele quer dizer consciência. Então quando falamos de uma pessoa sábia, estamos falando de uma pessoa consciente – desperta.

E uma pessoa sábia não é aquela que passou por muitas situações, não é uma pessoa experiente. Uma pessoa sábia é aquela que tem consciência sobre tudo que passou, é aquela que vive o presente sem pendências com o passado e sem projeções para o futuro.

Nós temos a ideia equivocada de que uma pessoa sábia é uma pessoa mais velha, com muita história para contar. E é normal em situações adversas, como a perda de um ente querido que você não está sabendo lidar, alguém te sugerir conversar com uma pessoa mais velha, que já passou pela mesma situação diversas vezes, uma pessoa “sábia”.

Então essa pessoa irá te contar toda a sua história, irá relembrar cada situação que passou, irá te informar como ela fez para diminuir o sofrimento a cada perda. E você pode seguir as dicas delas e obter sucesso, realmente as inúmeras experiências lhe trouxeram boas dicas, elas são efetivas. E, muito provavelmente, você irá agradecê-la por sua sabedoria.

Acontece que uma pessoa sábia não te ensina a sofrer menos, não te ensina a lidar com a morte, ela te ensina a ser feliz, a estar consciente da vida eterna. A pessoa que aprendeu a lidar de forma menos sofrida através dos inúmeros casos que vivenciou tem experiência, ela já enfrentou a situação por muitas vezes, mas essas inúmeras vezes, esse conhecimento, ainda não foi transformado em sabedoria, em consciência.

E é isso o máximo que o conhecimento pode fazer por você: diminuir o seu sofrimento. Você pode usar todo seu conhecimento para se tornar muito rico, então será um rico infeliz. Você pode utilizar todo seu conhecimento para exercer poder sob as pessoas, então será um poderoso infeliz.

“E sabedoria é doçura, é liberdade”.

E ela é doçura pois somente através da sabedoria, da consciência, é que você realmente consegue perceber a doçura da vida. Enquanto você estiver agindo de forma inconsciente, por mais que você adoce, por mais açúcar que coloque, a vida continuará sendo amarga.

E ela é liberdade pois somente através da sabedoria, da consciência, é que você se verá livre do medo, do apego, do ódio, de tudo aquilo que te faz sofrer.

Busque conhecimento, emita amor, seja luz!