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Mecanismos do ego – Carência

 

Queridos irmãos, o tema de hoje se trata de um dos principais efeitos colaterais de uma consciência identificada com o ego, a carência.

Precisamos sempre relembrar: o ego é o arquétipo da individualização, é a individualização perfeita. É ele quem sustenta a sua existência, é ele quem te mantém uma parte do Todo. E para que ele possa cumprir o seu propósito, ele precisa pensar, o tempo todo, de forma individualizada, pensar em si próprio.

Acontece que o comportamento padrão da humanidade terrena, é determinado por consciências identificadas com o ego, ou seja, quem pensam apenas de forma individualizada. E ao pensar dessa forma, a falsa sensação de separação da Fonte passar existir e, com ela, uma carência que irá acompanhá-lo até que você se ilumine.

E a lógica é simples: se você acredita que você é um e Deus, o Todo, é outro, que vocês estão separados, é óbvio que você terá alguma carência, pois somente Deus tem tudo o que quiser. Enquanto você se sentir alguém diferente de Deus, você irá sofrer com alguma sensação de falta, com uma espécie de vazio interno.

E para compreendermos o “tamanho” dessa carência, vamos recorrer a nossa querida pirâmide de Maslow. Para quem não conhece, Maslow foi um psicólogo que criou uma pirâmide de cinco degraus que representam as necessidades dos homens durante sua jornada.

E se existe necessidade de algo, é por que existe uma sensação de falta, se existe uma sensação de falta, existe uma carência e, por trás de toda carência, existe o ego atuando.

Os cinco degraus da pirâmide, na minha visão, são: necessidades básicas, relacionamentos, poder, autoconhecimento e espiritualidade.

E quando digo necessidades básicas, podemos traduzir para o estado de passar fome. Uma pessoa que se encontra nessa situação, não conseguirá pensar em mais nada. Não adianta você querer explicar para ela que o autoconhecimento é o caminho, que ela é a responsável pela situação em que se encontra, enquanto ela estiver com fome. A mente dela estará focada na fome durante todo tempo que você estiver falando, qualquer coisa diferente de comida, não terá o menor interesse para ela. Então essas pessoas estão experienciando o máximo da carência na matéria, muitas delas, chegam a morrer de fome.

Eu sei que muitas mentes pensam: “Como Deus permite que isso aconteça, como Ele deixa crianças morrerem de fome nos países pobres?”

Pois eu lhes digo, meus amados, que Deus, o Todo, só quer o nosso bem, só quer a nossa prosperidade, Ele quer nos ver felizes, evoluindo. Acontece que nós entramos na ilusão de que estamos separados Dele, logo, entramos na ilusão que estamos separados entre nós. A partir dessa viagem, começamos a viver na base da disputa, começamos a viver como se a Terra não tivesse recursos suficientes para suprir as necessidades de todos os seus filhos. E com essa mentalidade, estruturamos a sociedade de uma forma que, para termos os bilionários, precisamos ter milhões de pessoas passando fome.

Então quem criou a pobreza, quem criou a miséria, fomos nós, partes do Todo que ainda agem de forma egóica. A pobreza, a miséria, ou qualquer outra energia de baixa vibração, não se encontra na Fonte – são crias dos humanos.

E não devemos nos esquecermos do eletromagnetismo e, consequentemente, da autorresponsabilidade. Ninguém encarna em um país pobre, em uma família cheia de problemas, atoa. Ora meus queridos, não podemos fechas os olhos para a realidade: estamos encarnando na Terra há milhares de anos. O que eu quero dizer, é que a criança de hoje, era o adulto de ontem. Se, como dizem na minha terra, puxarmos a capivara dessa criança, se olharmos as suas encarnações passadas, com certeza veremos cenas que justificam o cenário da sua atual encarnação. Não existe um Deus punidor, não existe um Deus julgador, o que existe, é a combinação: livre arbítrio + eletromagnetismo.

Então essas pessoas que estão passando fome, estão vivenciando uma desconexão com o Todo nessa proporção, no nível de passar fome. E muitas dessas pessoas são religiosas, elas sabem falar sobre Deus, mas é um Deus completamente externalizado, um Deus que está lá, no alto do céu.

E esse nível de carência só irá desaparecer quando houver uma mudança de consciência global, quando reconhecermos que, independentemente de como vamos organizar nossa política, independentemente de como iremos estruturar nossa economia, antes de mais nada, não podemos, como raça planetária, permitir que a fome exista em nossa querida casa, a mãe Terra.

Agora vamos supor o caso de uma criança que não tenha problemas com o primeiro degrau, que tenha vibrado uma família com condições mínimas para proporcionar um ambiente favorável para o seu desenvolvimento.

E é nessa fase que nós sofremos os grandes primeiros impactos da carência. A lógica é simples: tirando as exceções, todos nós viemos para essa encarnação com a missão de nos iluminarmos, de lembrarmos que nós e a Fonte somos Um. O que eu estou querendo dizer, é que toda criança tem o seu ego que precisa ser trabalhado, mais uma vez, a criança de hoje, era o adulto de ontem.

E por mais que os pais se esforcem, por mais que eles façam malabarismos para agradar seus filhos, é simplesmente impossível atender todas as expectativas. E digo que é impossível, pois o ego nunca irá se cansar de criar novas expectativas.

Acontece que os mesmos pais que estão se esforçando para atender as expectativas dos egos dos seus filhos, também estão sendo conduzidos pelo ego, ou seja, também possuem suas próprias expectativas. Então, fatalmente, as expectativas de ambos, pais e filhos, em algum momento, irão se chocar – eis o surgimento dos traumas.

O que eu quero dizer, meus queridos, é que todos nós passamos por episódios onde esperávamos receber amor dos nossos pais e essa expectativa não foi atendida, muitas vezes, o recebido foi exatamente o contrário, a negação do amor, as energias de baixa vibração. E esse fato aconteceu inúmeras vezes durante as muitas encarnações que já tivemos.

E essa carência, essa negação do amor, é sem dúvida a que mais dói em qualquer ser. Os arquétipos de pai e mãe são muito fortes, são as nossas representações máximas do amor, são a nossa fonte primordial. Qualquer experiência negativa que temos em relação as figuras maternas e paternas, ficará gravada no nosso corpo emocional, e precisará ser ressignificada em algum momento da nossa existência.

Então quando começamos a expandir o nosso círculo de relacionamentos, quando saímos das margens do núcleo familiar e passamos para as esferas das amizades e dos relacionamentos afetivo-sexuais, carregamos conosco toda a bagagem de carência que fomos acumulando durante a nossa infância.

E são nos relacionamentos afetivo-sexuais que a carência se escancara. Nós projetamos no outro toda falta que existe dentro de nós. Se você foi abandonado por seus pais, então você projetará no outro esse medo de ser abandonado novamente. Se seus pais não lhe davam atenção, então você irá projetar no outro essa falta de atenção.

E para compreendermos a lógica, precisamos compreender o inconsciente coletivo que está rodando por trás.

As crenças vêm mudando conforme a população vai expandindo a consciência, mas ao analisarmos o inconsciente coletivo nessa frente, veremos a seguinte situação: existem dois marcos importantes na vida dos pais, o primeiro diz respeito a formar os filhos, a proporcionar a possibilidade deles terem um diploma, uma profissão. E esse marco é importante pois traz a independência financeira, um segundo cordão umbilical pode ser cortado. Já o segundo diz respeito ao casamento, a simbologia que está por trás de um pai casar um filho, é a de estar compartilhando com um terceiro a responsabilidade de amá-lo.

Então os arquétipos de marido e mulher, de companheiro e companheira, estão carregados de uma obrigação social de amar. E digo obrigação social de amar, pois trata-se de cumprir as exigências do ego, de tapar os buracos causados pela carência.

Acontece que as pessoas estão tão distantes da autorresponsabilidade que, ao tomarem conhecimento da sua carência, ao invés de olhá-la a fundo, de observar qual é a sua origem, se utilizam desse conhecimento para exigir que o outro cumpra os seus desejos. O que acontece é uma espécie de chantagem emocional, seus pais não lhe deram atenção, você foi traumatizado, logo, sua companheira, seu companheiro, não pode cometer o mesmo “mal” que seus pais, eles têm que cumprir os seus desejos.

E o detalhe é que esse jogo está sendo jogado de ambos os lados, é um projetando a carência no outro.

E é nesse degrau que 99,99% da população da Terra se encontra. As pessoas namoram e terminam, casam e se divorciam, moram juntas e se separam. Enquanto elas não compreenderem que o autoconhecimento é a chave para um relacionamento verdadeiro, ou elas estarão infelizes ao lado de outras pessoas infelizes, ou irão ficar pulando de galho em galho.

Agora supondo uma pessoa que tenha resolvido esse degrau, que esteja em um relacionamento positivo, ou que esteja sozinha, mas bem resolvida, feliz, ela irá galgar o próximo degrau, o poder.

E a questão do poder está diretamente ligada a vida profissional. Que cargo ela quer ter? Quantos subordinados ela quer gerir? O quão longe ela quer chegar?

As respostas para essas perguntas dependem de cada um. Cada pessoa possui um conjunto de necessidades diferentes do outro, porém, todas com algo em comum: o ego como origem. E a lógica é simples: se você está buscando poder, é por que você não se sente poderoso, dentro de você existe uma carência de poder. E por mais que você possa se tornar “poderoso”, uma pessoa com influência mundial, que as grandes decisões globais tenham sua opinião considerada, enquanto você não se lembrar quem realmente é, enquanto o seu poder não for fruto da recordação que você e a Fonte são Um, nenhuma ação na matéria será capaz de suprir sua carência de poder. Você só se sentirá realmente poderoso, quando sentir-se Deus.

E somente quando ela atingir sua cota de poder desejada, é que irá saltar para o próximo degrau. O que acontece com muitas pessoas é a seguinte situação: elas não possuem problemas financeiros, estão bem sozinhas ou em um relacionamento estável, já alcançaram os objetivos profissionais, e chegam à seguinte conclusão: e aí, a vida é só isso?

E é quando essa questão surge que o próximo degrau é atingido, o autoconhecimento. Muitas pessoas precisam cumprir todo o protocolo imposto pela sociedade para despertar a curiosidade de saberem quem elas são, o que estão fazendo aqui e para onde vão. Quando a pessoa chega nesse estágio, a maior carência que ela sente é a de não ter um propósito para a vida, de não compreender o que ela está fazendo em meio a todo esse contexto existencial.

Uma vez que a pessoa inicia seu processo de autoconhecimento, se ela for honesta, fatalmente ela irá atingir o quinto degrau, a espiritualidade. E você não precisa se tornar religioso para adentrar na espiritualidade, você precisa apenas admitir que existe algo a mais que seus olhos podem perceber, que existe algo além da matéria.

O termo espiritualidade está associado a algo místico, religioso, e isso não é verdade. A separação entre “lado material” e “lado espiritual” é meramente mental. Nós convencionamos chamar a terceira dimensão, aquela que conseguimos perceber com nossos olhos do corpo físico, com a nossa tecnologia, de lado material. As demais dimensões que não conseguimos enxergar, que a nossa ciência não consegue perceber em laboratório, convencionamos chamar de lado espiritual. O que eu quero dizer é que existe uma única realidade, organizada na forma de dimensões. O fato de enxergarmos somente a realidade da terceira dimensão, de enxergarmos somente os átomos que estão vibrando em uma frequência que nossos olhos conseguem perceber, não faz com que as demais dimensões deixem de existir.

Então qualquer movimento que você fizer em direção a compreender os mistérios da existência, estará trilhando o caminho da espiritualidade.

O professor Hélio Couto propõe um sexto degrau, que seria a unificação com o Todo. E eu concordo plenamente com ele, mais dia ou menos dia, você irá voltar para casa, você irá se recordar que você e a Fonte sempre foram Um – é inevitável.

E apesar da grande maioria da população seguir essa escalada, nada te impede de saltar degraus. Você pode simplesmente saltar para o sexto degrau. A ideia de estarmos separados da Fonte é inconsistente, não tem embasamento lógico nenhum. Nossa ciência, através da mudança de paradigma proposto pela mecânica quântica, em breve irá encontrar Deus. E encontrar Deus, para a ciência, será chegar à conclusão, em laboratório, que todos nós fazemos parte da única consciência que existe, que todos estamos interligados por essa consciência e que somos os co-criadores da nossa realidade. A ideia da matéria dará lugar para o reconhecimento da consciência.

Só que existe um pequeno detalhe: Deus é amor e, o amor, é um sentimento, logo, só pode ser sentido. O que eu quero dizer, meus amados, é que não há ciência que fará você se sentir Deus; por mais que você tenha uma comprovação científica, isso não garante que você irá experienciar Deus.

Então o caminho para se livrar da carência tem início quando você, de forma responsável, reconhece a carência dentro de si. E quando digo reconhecer de forma responsável, é no sentido de enxergar a carência e não estar de acordo com ela. Muitas pessoas têm o conhecimento da sua carência, mas como é algo comum, que todo mundo tem, como nos acostumamos e nos identificamos com ela, acabamos tratando-a como algo normal. Você não tenta se livrar da carência, você aprende a conviver com ela, você veste a máscara do vitimismo e entra de cabeça nesse jogo.

E enquanto você não compreender a autorresponsabilidade, enquanto não aceitar que é o responsável por todas as situações que já passou e irá passar, estará olhando para o externo, estará procurando as causas dos seus problemas exatamente do lado oposto onde elas se encontram.

Agora, se você se dedicar a um processo de autoconhecimento responsável, é fato que você irá chegar à conclusão que é Deus. A ideia de que estamos separados da Fonte é fruto de uma programação mental feita durante milhares de anos. Quando nos aprofundamos para dentro de nós mesmos, quando nos tornamos o observador, quando nos olhamos de fora, é que podemos enxergar onde a programação foi instalada, qual a crença que está por trás e suas consequências práticas. E ao olhar com seus próprios olhos, ao se tornar consciente do fato, a programação simplesmente se dissolve; a ignorância é a matéria prima das programações mentais, uma vez que você desperta, adeus qualquer programação.

Então se você quer se livrar de uma vez por todas da carência, você terá que se livrar da falsa sensação de separação da Fonte, você terá que se livrar de todas as crenças que o tornaram cego para a realidade do amor. E essa transformação só pode acontecer através do estado mais profundo da meditação, que é quando você testemunha Deus, o Todo, se fazendo através de você.

Busque conhecimento, emita amor, seja Luz!

 

  • José Paulo Andreazza de Souza

    Raoni.
    Muita gratidão por seu trabalho de luz. O seu site já ajudou muito em minha caminhada e continua ajudando. E agora tem surgido alguns questionamentos, para entender melhor tudo isso.
    Eu li todos seus artigos postados até janeiro desse ano, depois eu dei uma parada porque comecei a estudar mais a fundo a obra do Helio Couto, que inclusive surgiu na minha vida por indicação sua em um dos seus artigos lá no começo.
    Então, não me lembro exatamente que material o Helio fala que até uma pedra tem ego. E nesse ponto eu fiquei confuso. Como é o ego de uma pedra?
    A questão principal é a seguinte:
    Quando recebemos o ego, seja eu uma pedra um inseto ou planta, não importa. Esse “primeiro” ego, ele pode ser mais ou menos cruel e genioso? ou o ego de uma pedra é tudo igual?
    Pelo que o Helio falou, se eu entendi certo, já existe diferenciação de ego na pedra. Pra ficar mais claro, podemos dizer que uma pedra é mais egoísta e outras menos hehe. doido né!!!
    Mas até ai tudo bem, o que mais me intriga é qual o critério pra que uma pedra tenha um ego mais ou menos predominante que outra???
    Vamos tornar agora a questão mais prática:
    Vamos imaginar dois seres humanos novinhos, (primeira vida como ser humano). Seria correto afirmar que um pode ser mais “egoico” que o outro??? sendo assim, qual é o fato gerador? porque alguns recebem um ego “mais difícil” digamos assim, e outros não!!! um pouco confuso né!!!
    Quando ganhamos o ego somos todos iguais??? é durante nossas vidas como animais “irracionais” que vamos moldando nosso ego??? se for isso então os animas possuem o livre arbítrio que já começa a polarizar tudo???
    Sei que esta confuso, mas vc conseguiu entender o ponto especifico da minha duvida???
    Sei que é difícil esclarecer essas duvidas cabeludas por aqui hehe. Então aceito sugestão de alguma leitura que possa trazer maior clareza com relação a esse assunto.

    Muito obrigado meu irmão. Desejo que o seu alcance seja exponencial e que sua palavra impacte cada vez mais pessoas.

    um grande abraço.

  • Amanda Aires

    Raoni, tenho uma dúvida irmão. Como se explica as crianças que nascem em países predominantemente budistas como o Tibete ou a Tailândia, pregando o amor e a bondade e sabendo que são Deus, que são amor, mas ainda assim passam fome e sede? Mulheres na Tailândia colocadas num taxi e não fogem pois, como não têm dinheiro para pagar a “dívida” sentem que aquilo ficaria acumulado em seus carmas como roubo. Falo isso tudo isso irmão, também como budista ( ou uma tentativa, apesar de não me encaixar muito bem em nenhuma corrente. O conceito budista sempre foi o mais lógico, a filosofia, a mais bonita… é uma jornada difícil, principalmente quando se fala do caminho óctuplo. Mas eu sinto em meu coração a bondade e a gratidão que o budismo passa. Enfim, poderia responder minha pergunta? Ou algum irmão ?)