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A descoberta do Buda – O caminho reluzente

Sutra: Tudo surge e acaba. Quando vê isso, você fica acima da tristeza. Esse é o caminho reluzente.

Osho: O caminho de Gautama, o Buda, é o caminho da inteligência, da compreensão, da consciência, da meditação. Não é o caminho da crença, é o caminho de se ver a própria verdade. A crença simplesmente encobre a ignorância; ela não livra você da ignorância. A crença é uma ilusão que você arma em cima de si mesmo – não se trata de transformação.

E as pessoas que se acham religiosas são apenas crentes; não são religiosas. Elas não têm nenhuma clareza, nenhuma compreensão, nenhum vislumbre interior da natureza das coisas. Elas não sabem o que estão fazendo, elas não sabem o que estão pensando. Elas estão simplesmente repetindo convenções, tradições, palavras mortas, proferidas há muito, muito tempo atrás. Elas não podem ter certeza de que aquelas palavras são verdadeiras ou não. Ninguém pode ter certeza, a menos que descubra por si mesmo.

Existe somente uma certeza na vida e essa certeza é sua própria percepção, sua própria visão. A menos que isso aconteça, não se contente – continue descontente. O descontentamento é divino; o contentamento por meio de crenças é estúpido. É por meio do descontentamento divino que a pessoa cresce – mas trata-se de um caminho árduo. O caminho da crença é mais simples, conveniente, confortável. Você não precisa fazer nada. Você tem somente de dizer “sim” para as autoridades; as autoridades da igreja, do estado. Você simplesmente tem de ser um escravo para as pessoas que estão no poder.

Mas, para seguir o caminho de Buda, a pessoa tem de ser rebelde. A rebeldia é o sabor essencial desse caminho; ele é somente para o espírito rebelde. Mas somente as pessoas rebeldes têm espírito, somente elas têm alma. Os outros são ocos, vazios.

Estes sutras de hoje são de imensa beleza e verdade. Medite sobre eles:

Tudo surge e acaba.

Quando vê isso,

Você fica acima da tristeza.

Esse é o caminho reluzente.

Este é um mundo muito estranho. Tudo é momentâneo; contudo, toda coisa momentânea lhe dá a ilusão de ser permanente. Tudo são apenas bolhas de sabão, brilhando lindamente sob os raios do sol, talvez cercadas pelo arco-íris, uma bela aura de luz – mas uma bolha de sabão é uma bolha de sabão! A qualquer momento… ela se desfará e sumirá para sempre. Mas, durante aquele momento, ela pode enganá-lo.

E o mais estranho é que você já foi enganado milhares de vezes; ainda assim, não toma consciência. Novamente, uma outra bolha de sabão e você acreditará. A sua falta de inteligência parece ilimitada! Quantas vezes você precisa ser martelado? Quantas vezes seus sonhos têm de ser reprimidos e despedaçados? Quantas vezes a vida tem de provar que o apego é absurdo? Pare de se apegar e, então, você irá além da tristeza. O apego é a causa-raiz da tristeza.

Buda diz: Tudo surge e acaba. Quando vê isso… Ele não está dizendo: “Acredite nisso”. Ele não está dizendo: “Eu me tornei iluminado; assim, o que quer que eu diga, você tem de acreditar”. Ele não está dizendo: “Como as escrituras estão a meu favor, você tem de acreditar em mim”. Ele não está dizendo: “Como eu posso provar isso logicamente, você tem de acreditar em mim”.

Veja a beleza do homem. Ele diz: “Quando vê isso, você fica acima da tristeza”. Nesse exato momento, quando você vê isso – que tudo é momentâneo e tudo é um fluxo e tudo está fadado a mudar… Faça qualquer coisa que queira fazer, mas nada vai se tornar permanente nessa vida. Quando você vê isso com seus olhos, e você o compreende por meio da sua própria inteligência, você se vê de repente além da tristeza.

O que acontece? Uma grande revolução acontece nessa visão: a própria visão é a revolução. Então, você não se apega. No momento em que você vê que isso é uma bolha de sabão, você não se apega a ela. Na verdade, se você se agarrar a ela, forçará a bolha estourar mais cedo. Se você não agarrá-la, ela pode permanecer ali, dançando ao vento por um tempo. O não-apego pode alegrar a vida; o apego não pode alegrar a vida.

Se você , você pode se alegrar; então, trata-se apenas de um jogo. Depois disso, toda a terra se torna apenas um palco onde todo mundo está interpretando o papel que lhe cabe.

Olhe à sua volta. Tudo está mudando. É como um rio correndo e correndo… – e você quer retê-lo? Ele é mercúrio! Se tentar segurá-lo, você perderá mais cedo do que antes. Não tente segurá-lo. Observe alegremente, silenciosamente. Testemunhe o jogo, o sonho… e você estará acima da tristeza.

Despertando: Dentre os grandes ensinamentos que a terceira dimensão nos proporciona, a impermanência é sem dúvida um dos principais.

Ao mesmo tempo que a matéria te permite a experiência do tato, de você poder pôr as mãos no volante e dirigir um carro, de poder envolver alguém em um abraço, de poder sentir Deus na forma sólida, ela também te proporciona a experiência da perda, do fim, da falsa sensação de separação.

E a ilusão teve início exatamente no momento em que nós nos esquecemos que estamos aqui para experimentar a matéria, para explorarmos o mundo dos cinco sentidos, mas que isso em momento algum quer dizer que só exista o mundo material, que só exista a terceira dimensão.

“Tudo surge e acaba…”

A todo momento pessoas estão nascendo, plantas estão nascendo, animais estão nascendo, novos produtos estão nascendo… a existência é criativa por si só.

Assim como a todo momento pessoas estão morrendo, plantas estão morrendo, animais estão morrendo, produtos estão morrendo… o fim é um ponto em comum para todos.

Acontece que o fim não passa de uma ilusão, ele é o fruto de uma consciência identificada com a crença no materialismo. Você só pode acreditar na morte se acreditar que a vida se resume ao corpo físico; você só pode acreditar que algo realmente irá acabar, se você acreditar que precisa enxergá-lo para ele existir.

A morte nunca existiu e jamais existirá. Jesus Cristo está vivo, Buda está vivo, Osho está vivo, todos seus parentes que já fizeram a passagem estão vivos, todas as pessoas que você já foi no velório estão vivas. Cada um está trilhando sua jornada na dimensão compatível com sua atual vibração, porém, a continuidade da vida é uma certeza para todos.

E essa é uma realidade para toda a existência. Os cientistas descobriram que se colocarmos fogo em um livro, a informação contida nele, continua existindo na fumaça e nas cinzas, ou seja, nem pondo fogo em um livro você é capaz de “matá-lo”.

“Quando vê isso, você fica acima da tristeza…”

Quando você se torna consciente, quando compreende o que a terceira dimensão representa na jornada de um ser e a existência das demais dimensões, a tristeza passa a ser apenas observada, não mais experienciada.

Você irá morre, seus familiares irão morrer, seus amigos irão morrer, todos que hoje estão vivos, um dia irão morrer. E não tem problema nenhum nisso, está tudo bem que mais um ciclo na terceira dimensão se encerre.

Assim como não tem problema nenhum se seu carro “morrer”, se seu celular “morrer”, se qualquer coisa chegar ao fim. Também está tudo certo com isso, tudo tem um tempo de vida na terceira dimensão.

O caminho reluzente é o caminho da consciência e, onde existe consciência, não existe apego. Você só pode experimentar o sofrimento se você se apegar; caso você se mantenha atento, consciente que nada irá durar para sempre na terceira dimensão, o apego simplesmente deixa de fazer sentido.

Tudo surge e tudo acaba… e não há nada que você possa fazer em relação a isso, logo, apenas desfrute o caminhar.

Busque conhecimento, emita amor, seja Luz!

 

  • Michele Sardinha

    gratidão